Arte em São Paulo

Editor: Luiz Paulo Baravelli, Lisette Lagnado e Marion Strecker Gomes
Histórico: 37 edições, 1981 a 1987
Local: São Paulo
Descrição: formato 29 x 21 cm, encadernação espiral (1 a 32), 21 páginas, com texto datilografado em máquina de escrever, impressas em preto e branco. A partir do número 33 a revista mudou o formato, que passou a ser vertical e foi impressa em offset colorido, 21 x 30 cm (33 a 37). Tiragem 500 a 1.500 exemplares (somente em edições especiais a tiragem foi entre 2.000 e 5.000 exemplares)

Referências:
PROENÇA, Luiza. Por que e para que uma revista de arte e cultura?: Arte em São Paulo (1982-1987). In: MOREIRA JR, Roberto. Recibo 80: um dossiê sobre arte brasileira. Traplev Orçamentos, Recife, ano 13 número 18, 2015.

Arte em São Paulo (1981-1987)

Em 1981 Luiz Paulo Baravelli comprou uma impressora usada, uma máquina de escrever, um conjunto de outros acessórios e deu início a uma das mais longevas experiências editoriais artísticas do país: a revista Arte em São Paulo. Trinta e sete números e seis anos depois, com outro formato e outra editoria, a revista deixou de circular, não sem antes se estabelecer como um dos mais importantes espaços de criação e debate para artistas, críticos e investigadores das mais diversas áreas do pensamento. Nas suas páginas, muitas vezes de forma inédita, vieram à tona proposições e pesquisas de figuras como Julio Plaza, com O Livro como Forma de Arte; Lenora de Barros, com O Tempo na Fotografia; Regina Silveira, com Artemicro; Marco do Valle, com Multi = Multi (descrição de duas peças montadas numa estrada); Cacilda Teixeira da Costa, com Vídeo Hoje em São Paulo; Villem Flusser, com Arte na Pós-História; Mary Dritschel, com Ladies First; Léon Ferrari, com Prismas e Retângulos; Annateresa Fabris, com Notas sobre o Pós-moderno; Hudinilson Jr., com O corpo sempre como princípio; entre outros tantos nomes. Concebida e apresentada como uma iniciativa inteiramente pessoal do seu fundador, a publicação passou a contar, em 1982, com a editoria de Lisette Lagnado e Marion Strecker Gomes, além do próprio Baravelli, que deixaria a revista em 1983. Sem nunca abrir mão dos propósitos firmados no seu primeiro número — ser uma contribuição ao nosso circuito, constituir-se de forma plural e manter-se constantemente aberta a contribuições — Arte em São Paulo foi, ao longo dos anos, ganhando novas vozes e novos modos de apresentação e escrita, a ponto de seu projeto inicial, de “ser uma revista sobre arte e não uma revista de arte”, se ver paulatinamente subvertido e/ou repensado. Vista desde o longínquo ano de 2016, Arte em São Paulo foi, e permanece sendo, inegavelmente, uma revista de artista concebida, editada e distribuída de maneira independente. Montada de forma quase artesanal — com páginas na horizontal, encadernação em espiral e muitas imagens literalmente coladas nas páginas — pontuada aqui e ali por intervenções criadas especialmente para a publicação (como, por exemplo, as de Hudinilson Jr. e Bernardo Krasniansky), seus interesses iam da arte postal à arte yanomami, da representação pictórica ao papel da grande imprensa. Arte em São Paulo foi uma das raras iniciativas em que pensamento e prática artística, longe de se excluírem, alimentavam-se mutuamente para constituir um espaço plural e aberto. Fazendo valer as sábias palavras de Baravelli: “como conclusão, acho que é preciso parar de reclamar e começar a fazer. Quem tiver o que dizer, apareça. E isto é um convite”.

(texto publicado originalmente em hay en português nº 5 – espero tua (re)volta).

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